Ultimamente , a participação das crianças em propagandas eleitorais e até mesmo como cabo eleitoral tem sido grande em Juiz de Fora. A utilização delas vem sendo um artifício cada vez mais comum em propagandas, assim como animais.
De acordo com Wallace Faustino, professor de marketing político, dificilmente se encontra alguém que não simpatize com uma propaganda que tenha uma criança. O que mais se vê são outdoors espalhados pela cidade com fotos de crianças, e essa tática só foi transferida para outra propaganda, a política.
Publicidades e propagandas já possuem vida própria independentemente dos produtos que vendem. “Uma pessoa pode até não se identificar com o produto oferecido, mas pelo menos simpatizará com a propaganda em si. O que mais tarde, pode levar o indivíduo a simpatizar com o produto, por via da propaganda”, diz Wallace.
Há cálculos de empresas de publicidade que mostram que propagandas com crianças são mais atrativas. Para Wallace Faustino, as propagandas políticas tendem a apelar mais para a sensibilidade do eleitor do que propriamente à sua razão, daí a necessidade de usarem “figuras” que sensibilize os eleitores.
Geralmente quando o candidato não é uma pessoa atrativa e encontra-se fora dos padrões de beleza e simpatia, crianças são utilizadas como artifícios para a aproximação com o eleitor.“A simpatia ao candidato pode ser construída secundariamente após uma apresentação mais “interessante” que possa ser feita de sua imagem”, diz Wallace.
“A utilização de um adulto dificilmente despertaria o mesmo efeito que uma criança. Nem sempre um adulto desperta a mesma simpatia”, finaliza Wallace. Como já foi dito, dificilmente alguém não simpatizaria com uma criança ou com um animalzinho. Mesmo que não queira levar para casa, é muito mais agradável aos olhos.
O professor de marketing, Nelson Toledo, destaca o uso de crianças nas propagandas pela credibilidade e apelo emocional que geram. São agregados valores a determinados candidatos, como se fazem com produtos. “A maioria dos eleitores é formada por pessoas conservadoras, que tem medo de mudanças, então sempre são explorados estes sentimentos de família, organização, instituições.”
Olhando pelo lado psicológico, a profissional Juliana Curzi acha que não existe nenhum problema dos pequeninos participarem das propagandas eleitorais. “O que precisa ser destacado é o fato de um indivíduo que ainda não tem capacidade de ter opinião política e ser utilizado ideologicamente. A criança repete o que vê, mas isso não traz conseqüências futuras. O efeito é momentâneo.”
Acaba não sendo nem certo nem errado as mães deixarem a participação das crianças nessas propagandas. “Como já disse, não é o ideal, mas acredito que não seja prejudicial. E podemos olhar por outro ângulo também: despertar nas crianças o interesse pela política.” finaliza Juliana.
Já para Mônica Cristina Carias Campos, assistente administrativa e mãe de uma criança de oito anos, as propagandas eleitorais com crianças são apelativas já que a criança não tem consciência política alguma. “Ela não sabe o que está fazendo e ela está ali sendo orientada por alguém que quer que ela faça aquilo, ela não está lá por vontade própria”.
*Postado por Andressa Albuquerque e Stephânie de Paula
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